quinta-feira, 24 de julho de 2008

Simpatia romântica ameaça a ponte histórica em Roma

Postado por Thiago Ghougassian

O amor, em todo o seu esplendor e desordem, encontrou expressão perfeita na mais antiga ponte de Roma, no ano passado. Inspirados por um best seller posteriormente transformado em filme, jovens casais escreviam seus nomes em cadeados, e atavam correntes fechadas por eles em torno dos postes de luz da Ponte Milvio. Em seguida, simbolizavam a permanência de seu amor lançando as chaves dos cadeados às águas turvas do Tibre, sob a ponte.
Mas a realidade não demorou a se reafirmar, como costuma acontecer depois de uma paixão. Milhares de cadeados e chaves começaram a se empilhar na ponte e nas águas do rio. Duas das luminárias instaladas sobre os postes despencaram devido ao excesso de peso. Vizinhos começaram a se queixar de vandalismo. Os políticos que tentaram resolver o problema foram acusados de ser inimigos do amor, o que na Itália é coisa séria.
No final do mês passado, uma solução foi encontrada. O governo municipal instalou seis conjuntos de postes de aço para receber as correntes ao longo da ponte, de modo que os amantes agora podem se declarar sem risco de dano à infra-estrutura.
E dessa forma a cidade dos monumentos acaba de criar mais um, ainda que haja um certo custo: jogar uma chave ao rio da Ponte Milvio, reclamam alguns italianos, pode em breve se tornar tão coisa de turista quanto as moedas lançadas à Fontana di Trevi.
"É menos romântico", diz Costantino Boccuni, 28 anos, soldado que acabava de instalar sua corrente em um dos novos postes metálicos, para declarar seu amor por Daniela, 26 anos, com quem está casado há seis anos. "Antes era mais bonito. Mais original". "Agora, a idéia se tornou como que uma moda", afirmou.
Mas ainda assim, à medida que o adorável crepúsculo romano trazia a noite, o casal trancou sua corrente. E, nos dias que se seguiram à instalação dos novos postes, dezenas de novas correntes do amor foram trancadas na Ponte Milvio - para sempre, se o mundo fosse perfeito (ainda que, na prática, a cidade deva periodicamente remover as correntes, da mesma forma que recolhe as moedas lançadas à Fontana di Trevi).
A história de como a Ponte Milvio, ao norte do centro de Roma, se tornou o símbolo do amor na cidade é uma trama especialmente italiana que mistura história, mito, politicagem rasteira e uma dose do inesperado.
Construída no ano 206 a.C., a ponte há muito atraía os amantes. Tácito, o historiador e estadista romano do século I, conta que, mesmo em sua era, o local já tinha "fama por suas atrações noturnas". O imperador Nero, diz Tácito, costumava visitar a ponte "para exercitar sua devassidão". (O imperador Constantino, derrotou seu rival Maxentius em uma batalha travada local, em 312, e se tornou o primeiro soberano de Roma a se converter ao cristianismo, doutrina que, na opinião de muitos italianos, reprova o tipo de amor que é comum na Ponte Milvio)
Em 2006, o escritor Federico Moccia publicou a segunda parte de uma história, Ho Voglia di Te (Te quero), sobre o romance entre um casal de jovens romanos. Como muitos casos amorosos, o de seu protagonista começa por uma mentira: ele convence a moça com quem deseja namorar de uma lenda que ele mesmo inventou, nos termos da qual os amantes que prenderem uma corrente ao terceiro poste do lado norte da ponte e lançarem a chave ao rio jamais se separarão.
Moccia, 44 anos, diz que inventou o ritual. "Gostei da idéia dos cadeados do amor, porque é algo de sólido, tangível", disse. Seu livro vendeu 11 milhões de cópias, o filme inspirado por ele foi lançado em seguida e não demorou para que a vida começasse a imitar a arte.
Moccia disse que ficou espantado quando percebeu que correntes e cadeados haviam começado a aparecer na ponte, ainda que ele atribua a tendência aos problemas do país, cuja população está envelhecendo e procriando menos; além disso, a economia lenta faz com que os jovens tenham dificuldades para encontrar emprego, e muitas vezes continuem vivendo com seus pais até depois dos 30 anos.
"É um sinal preciso de nossos tempos, existe uma falta de sonhos", ele afirma. "Só recebemos más notícias. Não existe mais o sorriso diante daquilo que vemos de longe, nas fímbrias do sonho. E aquele gesto do cadeado na ponte, do sentimento do ferro se fechando, como promessa, é algo de belo".
Mas a beleza não demorou a se tornar ameaça. Os amantes começaram a chegar, de toda a Itália, e logo receberam a adesão dos turistas. A antiga ponte, que atrai não só amantes, mas bêbados e número considerável de usuários de maconha, logo se tornou ponto de pichação romântica, sem falar do número incontável de correntes e cadeados. No trimestre passado, a cidade decidiu agir.
A política inevitavelmente interferiu. Como parte da longa batalha entre esquerda e direita que o país vem enfrentando, os partidos de direita acusaram o prefeito esquerdista Walter Veltroni de um crime muito pior que a corrupção.
"A esquerda é contra o amor", acusou Marco Clarke, membro direitista do Legislativo municipal, em fevereiro. A tradição continua, atenuada, ainda que muita gente agora a reprove. Michael P., 22 anos, que pediu que seu sobrenome não fosse citado porque estava fumando maconha, disse que "é uma questão de dignidade. Se eu quiser expressar meu amor, o farei ao meu modo".
Mas Gianluca e Federica recentemente usaram uma corrente e cadeado para expressar seu amor, e o mesmo se aplica a Ricky e Francy, Piti e Piti, diversos Mirkos com letras semelhantes a ponto de causar suspeitas.
Anna e Philip Colletti, de Montreal, comemoraram seu 25° aniversário de casamento com uma corrente e cadeado. Os filhos contaram a eles sobre a lenda. "Vinte e cinco anos de casamento. Isso pode assustar alguns dos casais mais jovens", disse Colletti

New York Times
Ian Fisher

Comentário: novo projeto de vida - ir até a Ponte Milvio e colocar um cadeado :)

Intimidade

Postado por Thiago Ghougassian

A definição intimidade é complexa uma vez que seus significados variam de relacionamento para relacionamento, e dentro de um mesmo relacionamento ao longo do tempo. Em alguns relacionamentos, a intimidade está ligada ao sexo e sentimentos de afeto podem estar conectados ou serem confundidos com sentimentos sexuais. Em outros relacionamentos, a intimidade tem mais a ver com momentos divididos pelos indivíduos do que interações sexuais. De qualquer forma, a intimidade está ligada com sentimentos de afeto entre parceiros em um relaciomento.


Esta não é uma definição precisa, mas mesmo sem ser específico, parece que a intimidade e relacionamentos saudáveis andam de mãos dadas. Certamente a intimidade é um ingrediente básico em qualquer relacionamento com algum significado: a base da amizade e uma das fundações do amor.
Será que encontrei minha intimidade?
Será?


segunda-feira, 14 de julho de 2008

Repassando a "amizade"

Postado por Thiago Ghougassian

Eram duas da manhã daquele sábado e eu ainda estava acordado. Havia lido mais algumas página de "Sex and the city", mas não estava com sono. Resolvi então mexer em meu celular, dar uma arrumada nas mensagens, apagar alguns números, mudar o papel de parede.
Então lembrei que não tinha classificado meus contatos por grupo. E foi o que fiz. Diante daquela agenda de 210 contatos, eu começei: letra A, B, C... Mas então eu percebi que alguns contatos eu não sabia em que grupo colocar: se colocava no VIP ou em Friends. Porque me perguntava aquilo? Era tão óbvio! Aquele contato era Friends... Mas algumas vezes parecia VIP e logo voltava para Friends. Decidi: essa é uma boa hora para repensar minhas amizades. Alguns que eu classificava como VIP, passei para Friends e vice-e-versa. Ou seja, alguns cresceram no meu conceito e outro deixaram a desejar em alguns momentos. Ótima atividade para as duas da manhã de um sábado em pleno inferno astral, não?
Conclui: não podemos esperar que algumas pessoas hajam do mesmo jeito que nós agiriamos. Isso não é possível. Quando isso acontecer, ela vai ser VIP e possível candidato a namorado.
E dessa forma passei meu final de semana, repensando parte da minha vida, ações e amizades. Depois eu tomei sorvete, li um pouco e fui dormir. Banal? Não mais do que algumas pessoas, definitivamente.


Fonte: http://blog.rexona.com.br/wp-content/uploads/2007/07/dia-do-amigo.jpg

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Desabafo

Postado por Thiago Ghougassian

Ontem assisti pela décima primeira vez o filme "Um amor para recordar" (A Walk to remember). Quando estava colocando o filme no aparelho de DVD, fiquei lembrando a trajetória do filme até minha casa: aluguei-o na biblioteca da faculdade, me contaram o final do filme sem querer, assisti, chorei, assisti de novo logo em seguida, chorei novamente e devolvi. Foi quando, depois de um tempo, andando pela FNAC da Paulista que o vi, em promoção, no meio de filmes pouco conhecidos. Não aguentei e comprei. Assisti. Chorei. Vi os extras. Copiei frases. E eu sempre assisto esse filme quando me sinto incompleto.
Coloquei o DVD, o menu apareceu, selecionei "Iniciar filme" e então começou: a cena do lago, da aula de Matemática que o Landon dava para o menino, a aula de teatro, o pedido de ajuda, a paixão... Minha mãe assistiu comigo (ela já tinha assistido quando peguei da faculdade) e não se conteve: chorou. Fiquei intacto no sofá com o cobertor laranja e a pantufa do Scooby Doo. A única coisa que se mexeu em meu corpo foram os pulmões que se contraiam e relaxavam, ora rapidamente, ora lentamente; se mexiam também meus olhos que acompanhavam as cenas com medo de perder algo. Meus olhos acomodavam as lágrimas que brotavam do nada e molhavam minhas bochechas e minha boca. O olho esquerdo começou a arder quando Landon levou Jamie para a divisa do Estado. A manga direita da blusa tentava secar meu rosto quando ele falou: "Eu te amo." e ela disse: "Eu te pedi para não se apaixonar por mim."
Uma hora e quarenta e dois minutos depois, o pulmão se confundia no ritmo que estava, assim como minha cabeça. Eu não sabia o que pensar. Seria só nos filmes que isso acontecia ou existia algo real próximo disso? Ele realizou os objetivos de vida dela. Ela acreditou nele. Era tão puro o amor deles, tão sincero que não aconteceu de uma hora para outra. Eles se deixaram levar. Ela mudou a pessoa que ele era. Ele não a abandonou, deixou parte dos amigos que não estavam do lado dele e foi sincero quando disse que a amava. Existe alguém que daria o nome da pessoa que ama a uma estrela e registraria? Alguém passaria a noite dentro de um carro com a pessoa e não transaria? Pediria em casamento com dezoito anos? Construiria um telescópio (levando em consideração que não sabia nada sobre isso) só para ver um sorriso no rosto dela?
Me parece muito distante. Escrevo muito sobre o amor, sobre sensações, ações que denotam carinho e atenção. Mas quando desligo o computador e vivo a realidade, isso é muito abstrato e então busco em mim um erro, algo que estou fazendo que deva ser corrigido. Busco erros em minha forma física, em minha pele, barriga, tamanho do rosto, formato da mão. Busco erros ainda em minha personalidade: ansioso, curioso, apressado, sensível de mais, paciente de menos. Não sei. Nenhum erro é grave o bastante que precise ser remediado. E ai percebo que o erro não está inserido em mim e sim nas pessoas, em como elas levam suas vidas, em como banalizam sentimentos e, algumas delas, em como banalizam sentimentos sinceros que ofereço, em como perdem oportunidades e em como devam (ou não) se arrepender. Quando gosto realmente de alguém, essa pessoa não gosta de mim e quando finalmente alguém gosta de mim, não posso retribuir da mesma forma pois sinto que é banalização excessiva da palavra "amor". É isso a vida? A eterna busca pelo amor? Pela realização?
Em minha cama parei para refletir: coloquei o travesseiro por cima de meu braço esquerdo, abrançando-o, deitei de lado e, por alguns minutos fiz daquele quarto escuro uma extensão de minha mente e vida. Organizei nas paredes de gesso ações, idéias, projetos, rotina, desejos. Faço faculdade e trabalho, logo profissionalmente estou realizado. Levo uma vida, no geral, feliz, sem vícios e sem problemas financeiros, logo estou estável. Na área familiar não posso reclamar pois as brigas se reduziram. Tenho muitos amigos e posso confiar em meia dúvia o que pra mim já é perfeito. Sentimentalmente tenho um histórico pouco feliz: tive relacionamentos que me desapontaram, me iludiram e brincaram comigo, porém aprendi com eles, tirei uma lição para minha vida. Não quero de forma alguma me por no papel de vítima, mas como ser feliz se fui traido, usado e cassoado? Sei que fui amado também, mas é tão opaco esse sentimento perto das ações que ofuscam e não me deixam sentir felicidade agora.
Tento parar de pensar, juro que tento. Tento seguir um regime, trabalhar, sair com meus amigos, mas todas as vértices dos meus pensamentos me levam á um abismo existencial enorme. Existo para mim, mas queria dividir isso com alguém que vale a pena, que consuma e me de atenção, respeito e carinho. Não procuro mais. Estou nas mãos da vida e espero que ela não me destrua porque sei que isso ela não quer. Quero que ela me conduza num caminho seguro, um caminho que eu possa trilhar um trajeto de sucesso, um trajeto para colher somente realização amorosa.
Certo, tenho dezoito anos e digo como uma pessoa de sessenta que nunca pode ser amada, mas me sinto como uma. Sinto-me estranho nesse mundo que ficadas são frias, sexo é prazeroso por dez minutos e festas acabam com camisinhas no lixo, enroladas num papel higiênico. É superficial e momentâneo de mais. Não existe um anseio, um plano maior, um traço de futuro. O futuro termina as sete da manhã, quando muito. Não há quebra de expectativa, destruição dos próprios limites, confiança numa pessoa.

"Não é força que falta as pessoas, é vontade."
Victor Hugo, poeta francês

terça-feira, 8 de julho de 2008

Agora - comentário.

Postado por Thiago Ghougassian

Sou fã assumido da banda NxZero e isso não é novidade para ninguém. Há algumas semanas comprei o novo CD "Agora" pela internet, na pré-venda pois só começa a ser vendido oficialmente amanhã nas lojas. Espero muito ansioso pela chegada da minha nova mania. Porém, passeando pela internet ontem, vi um link para o download do CD. Ou seja, o popular "vazamento". Sem peso na consciência, baixei rapidamente e comecei a ouvir. Fui surpreendido, positivamente, claro.
O CD segue a mesma tendência do "NxZero". Batidas de rock com letras melodicas e, algumas vezes, um pouco radicais, formam 15 faixas. A primeira, "Cedo ou tarde" é o novo hit da banda que já está entre as 5 mais tocadas nas rádios brasileiras. "Daqui pra frente" vem logo depois. É uma música com uma melodia muito interessante: barulhos que parecem ser feitos com a boca iniciam a música e o refrão completa: "Mas espero que daqui pra frente tudo se renove para nós dois / Nossas vidas são tão diferentes / Viva agora tudo o que sonhou / Muita coisa ainda está por vir / Muita coisa ainda vai mudar / Eu espero que daqui pra frente". Na minha opinião é uma das cinco melhores do novo trabalho da banda paulistana. A terceira música é a "Entre nós dois", uma faixa com tom romântico que conta um pouco sobre como o tempo revela as pessoas e o bem que uma pessoa faz ao eu-lírico.
"Bem ou mal" é a 4ª faixa do CD. Pessoalmente a que menos gostei. Conta com a participação de um aparente rapper (me corrijam se eu estiver errado) chamado Tulio Dek. No meio da música começa um rap levado por um baixo. Não achei que combinou, apesar da letra ser bem positiva. E logo em seguida o Di continua a cantar. Sinceramente? Quando começa essa faixa, passo para a próxima. Talvez não tenha tido a paciência devida para aprender a gostar dessa música, mas enfim. A próxima "Além das palavras" parecer ser uma continuação da "Bem ou mal" pois é imperceptível a troca de faixa. É uma faixa curta de 1'29'' que também conta com o rapper.
"Silêncio" lembra o CD "NxZero". É uma das músicas que mais lembra o verdadeiro NxZero. Uma música que conta sobre como a pessoa ignora o eu-líricio e a chance para falar sobre coisas que ele não pode falar. A 7ª faixa, "Segunda Chance" é uma música mais radical e bem envolvente. O rock fala sobre a paixão não esquecida e a segunda chance, como o próprio nome diz. "Cartas para você" é levada por um violão. Sim, uma das cinco melhores. Somente o violão. Nada de baixo, guitarra ou bateria. Calma, limpa e sensível. São 03'24'' de romantismo puro. "Tudo bem" fala sobre a vida e não sobre o amor. E surpreendam-se: nada negativo. Letra positiva, agredecimento pela vida e o respeito diante dela. A 10ª música, "Nunca mais" fala sobre a desconfiança da palavra e erros comentidos. A guitarra acompanha o vocalista e a banda mostra sua força. É uma das músicas mais bem regradas.
"Melhor parte de mim" começa com um piano que aos poucos vão dando lugar ao Di. Amor é a temática, como ele deixa a pessoa fortalecida e revela o lado bom das pessoas. A bateria entra e ecoa o sentimento. Não é uma música gritada. "Inimigo invisível" a 11ª faixa. Uma música pesada e revoltada. Lembra o CD piloto "Diálogo". Contrapõe a faixa anterior e diz que sem ela o eu-lírico está melhor. "O Destino" começa como a faixa "Melhor parte de mim", no piano que é breve e entra a bateria melódica. Bem de leve. "O destino me fez ir embora / O tempo vai nos dizer quem é quem / Pode não ser o fim da nossa história / O destino me trouxe até aqui / Minha intuição diz para eu continuar / E seguir o meu coração". A penúltima faixa "Diferenças" fala de como as diferenças são iguais e isso faz com que as pessoas estejam apaixonadas, apesar do tom também revoltado. A última faixa do álbum "Apenas mais uma de amor" é uma regravação da música de Lulu Santos. Perfeita. O Di soube levar com harmonia e o piano acompanha o vocalista perfeitamente. Essa música já estava presente no primeiro DVD da banda "62 mil horas até aqui" e eles tocavam-a nos últimos shows da turnê antiga. Uma das cinco melhores, com toda a certeza.
"Agora" é um presente da banda para todos os tipos de público. 47 minutos mostram como a banda cresceu e tem muito ainda para mostrar. Merece todo o respeito pois ganha cada vez mais prêmios e não precisaram de qualquer artifício midiático para chegar onde está. É um grupo completo, com histórias verdadeiras. É um álbum balanceado que não se retém a letras tristes e melodicas. Com certeza é uma veia forte do grupo, mas em faixas como "Inimigo invisível" é claro o passeio que podem fazer, sem dever nada a outras bandas de rock atual.
Numa escala de 0 a 10, classifico como 9,5. Infelizmente não dou nota máxima pelas músicas "Bem ou mal" e "Além das palavras". Não me agradaram, mas isso não tira qualquer crédito que o NxZero tem.
Parabéns a banda pelo sucesso e boa sorte na nova jornada.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Rotina

Postado por Thiago Ghougassian

“A idéia é a rotina do papel
O céu é a rotina do edifício
O inicio é a rotina do final
A escolha é a rotina do gosto
A rotina do espelho é o oposto
A rotina do jornal é o fato
A celebridade é a rotina do boato
A rotina da mão é o toque
A rotina da garganta é o rock
O coração é a rotina da batida
A rotina do equilíbrio é a medida
O vento é a rotina do assobio
A rotina da pele é o arrepio
A rotina do perfume é a lembrança
O pé é a rotina da dança
Julieta é a rotina do queijo
A rotina da boca é o desejo
A rotina do caminho é a direção
A rotina do destino é a certeza
Toda rotina tem a sua beleza.”


Comercial da Natura Cosméticos.

Ficha Técnica (comercial):

Título: Rotina
Duração: 45” e 30”
Cliente: Natura Cosméticos S.A
Produto: Todo Dia
Agência: Taterka
Diretor de atendimento: Eduardo Simon
Atendimento: Alessandra de Albuquerque
Aprovado por: Eduardo Costa, Erik Galardi
Direção de Criação: Dorian Taterka / Marcelo Lucato
Criação: Paulo Leite, Rodrigo Vezzá, Daniel Mattos e Sigueru Hashimoto
RTV: Patrícia Gaglioni
Produtora: Bossa Nova Films
Diretor: Willi Biondani
Diretor de Fotografia: Walter Carvalho
Diretor executivo: Mércia Lima
Montagem: Wilson Fernandes
Finalização: Nimitz
Trilha Sonora: Banda Sonora

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Os olhos da cara

Postado por Thiago Ghougassian

Estava andando no shopping, com seu salto fino, um vestido preto modesto, alguns brilhos na orelha e com a bolsa no ombro. Media cerca de 1,60cm, tinha olhos amendoados, nariz fino e lábios pintados por um batom nada chamativo. Olhou para o lado e viu uma calça jeans fabulosa: escura, com rasgos na barra e o corte do bolso ia até metade da coxa. Não tinha preço. "Não vou gastar com besteiras" e seguiu pelos corredores do shopping.
Passou em frente a uma loja que tinha artigos para casa. Entrou para ver se achava o cinzeiro para a sala de visitas que tanto procurava. Colocou o salto esquerdo na loja e logo foi abordada por uma vendedora:
- Posso ajuda-la?
- Ahn... Estou só olhando.
- Mas é claro... Todos estão só olhando! Porque "estou só olhando"? Diga que não quer ajuda! Foi o que lhe perguntei, certo? Diga que entrou só para fugir desses corredores entupidos de gente mórbida que não vão ao parque! Sim, veja todos os artigos da loja, mas não me venha pedir ajuda depois com perguntas estúpidas do tipo "quanto custa?" sendo que o preço está embaixo do produto, "fazem para presente?", "só tem nessa cor?"! E não coloque suas unhas recém-feitas naquele vaso! Ele é sensível de mais para pessoas que "só olham"!
- Mas... De fato eu...
- O que? Está só olhando? Quer ajuda para olhar? Posso emprestar meus olhos para você e não, não faço para presente e só tem nessa cor! Está vendo aquele porta-retrato? Pois bem... Todos olham para ele, perguntam quanto custa e saem da loja? 43 reais não é dinheiro algum para pessoas com vestidos pretos super decotados!
- Mas...
- Aposto que quando foi comprar essa bolsa disse que "estava só olhando" e, olhe para você agora! Desfila com ela como se fosse um troféu! Ah, mas você encheu a pobre vendedora com perguntas: "vocês parcelam?", "tem desconto?". E agora você trás essa mala de mal gosto para ver algumas cadeiras, decoração de mesa e cinzeiros!
- Você tem cinzeiro?
- Mas é óbvio que sim! Se não tivessemos pessoas como você não entrariam nessa loja! Veja, cinzeiros redondos, brancos, vermelhos com roxo, retangulares e com espaço para apagar! Mas não é o bastante né? Você vai querer um hexágono laranja e verde, com desenhos de elefantes cinzas meio-tom SÓ PORQUE NÃO TEMOS E VOCÊ SABE DISSO! E depois vai virar as costas, mal agradecer e rir da minha cara e ainda dizer: "mas nessa loja não tem nada".
- Eu gostei daquele preto...
- Ah gostou? Pois então pegue, levante e encontre algum defeito para ele! É pesado de mais ou preto de menos? Não é grande ou não combina com sua toalha amarela de renda?
- Quanto custa?
- O bastante para fazer você achar que não vale isso! E não, antes que você me encha com suas perguntas feitas, eu não darei desconto para você e não adianta chamar minha chefe porque ela está numa viagem para China PARA COMPRAR MAIS TRANQUEIRAS QUE VOCÊ OLHA E NÃO COMPRA!
- Certo... Vou leva-lo.
- Não sei embrulhar para presente se é o que quer dizer com isso! Eu não ganho para rasgar durex e colá-lo num papel que eu sei que você vai ragar em casa e trocar por uma sacola que comprará na próxima loja!
- ...
- O que? Ah sim, desculpe, MUITO OBRIGADA POR CONTRIBUIR COM CINQÜENTA E DOIS CENTAVOS NO MEU PAGAMENTO QUE SERÃO DESCONTADOS DAQUI SETE SEGUNDOS!
- Eu só ia agradecer...
- Aaaaah... De nada sua ingrata! Venha trabalhar todo o sábado e domingo enquanto meu namorado vai com os amigos da faculdade fazer churrasco e eu não estou lá porque? PORQUE ESTOU AQUI FALANDO COM VOCÊ QUE MAL OLHA NA MINHA CARA! Enquanto ele come picanha, eu vejo meu vale-refeição diminuir porque estou comendo a mesma comida da semana inteira porque minhas opções alimentícias nesse shopping se esgotaram!
- ... Pode me entregar a sacola?
- Você comprou mesmo?
- Obrigada, bons argumentos - e saiu da loja, deixando a vendedora abismada.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Qual o sentido da vida?

Postado por Thiago Ghougassian

"Acredito que o propósito da vida é ser feliz. Desde o momento do nascimento, todo o ser humano quer felicidade e não quer sofrer. Nem a condição social nem a educação e tampouco a ideologia alteram isso."
Dalai-lama,
Líder espiritual tibetano.

"O homem não pode desejar nada, a menos que antes compreenda que ele só pode contar consigo mesmo; que está sozinho, abandonado na Terra, sem outros objetivos a não ser os que ele mesmo estabelecer, sem outro destino a não ser o que ele forjar."
Jean Paul Sartre,
Filósofo francês.

"Eles nos criaram, e a preservação deles é a razão última da nossa existência. Percorreram um longo caminho, esses replicadores. Agora respondem pelo nome de genes, e nós somos as suas máquinas de sobrevivência."
Richard Dawkins,
Zoólogo inglês.

"Aqui está o sentido da vida [abre um envelope]. Hum... Bem, não é nada muito especial. Tente ser legal com as pessoas, evite gordura, leia um bom livro, caminhe um pouco e tente viver em paz e harmonia. E aqui estão algumas fotos de pênis completamente gratuitas só para irritar os censores."
Monólogo no final do filme Monty-Phyton - O sentido da vida.


Revista Superinteressante - Coluna "Pergunta sem resposta"
Ed. 248 - Jan/2008, pág. 42

Aquele que deve ser sentido

Postado por Thiago Ghougassian

Ontem, voltando para casa, estava pensando: o que é o amor? Como realmente saber que ele chegou?
Ficar repentinamente feliz quando você fala com a pessoa? Sentir um medo cada vez que encontra? Não censurar nenhuma palavra direcionada a ele? Se sentir a vontade? Compreender? Pensar incontrolavelmente? Não sei, isso tudo é superficial de mais. Não consegui encontrar algo que realmente definisse o amor. Tudo parece tão superficial diante desse sentimento avassalador, forte, que faz você perder a cabeça, ficar insuportavel.
Foi quando vi um casal que tinha acabado de entrar no ônibus. Ela carregava um pacote de fraldas e ele pagava as passagens. Ela pediu licença, sentou do meu lado e ficou olhando para o homem das passagens. Ele parou do lado dela, abraçou seu ombro, deu um beijo na sua testa e sentou no banco de trás. Ele então fazia carinho na cabeça dela, ofereceu água e deu risada porque ela disse que estava com sono. Eu estava ouvindo The bird and the bee - How deep is your love e não pude deixar de reparar neles. Desliguei a música, olhei para o homem e ofereci meu lugar para ele, para trocarmos, assim ele poderia ficar ao lado dela. Ele esboçou um sorriso que se concretizou no rosto dela. Podia perceber que ele não sabia como agradecer. Levantei e troquei de lugar com ele. Eles se beijaram e ele falou: "Vai parar de chorar agora? To do seu lado". E ela respondeu: "Nunca duvidei que você sempre está do meu lado". E voltaram a se beijar.
Aquilo foi como um soco no meu olho direito e um chute no meio da minha barriga. O que é o amor? A resposta estava na minha frente. Não precisava mais responder. E depois eu levei um soco no olho esquerdo quando vi uma aliança amarela no dedo dele.





Fonte:http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2007/08/177_2252-BUBBLE.jpg